O bloqueador veicular é recomendável?

O bloqueador veicular é recomendável?

Apesar da redução de 35%, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, do número de incidentes de roubo de carga nas rodovias Federais de todo país, o roubo de cargas e veículos ainda é uma grande preocupação para todas as empresas de transporte e gestores de frota.

Entretanto, ainda assim, de acordo com a Firjan, apenas do estado do Rio de Janeiro foram registrados 7.455 casos de roubo de carga, resultando em um prejuízo de R$ 386 milhões para as empresas de transporte em 2019. Pesquisa da NTC mostra que no país como um todo o prejuízo chegou a R$ 2 bilhões em 2018.

Diante disso, o cenário de insegurança nas estradas brasileiras faz com que seja necessário a adoção de medidas de segurança para a proteção do veículo, sua carga e também do motorista.

Algumas ferramentas disponíveis no mercado para a garantia da segurança veicular e de carga são os rastreadores veiculares e os bloqueadores.

A CESVI Brasil indica que deve ser dada preferência ao rastreamento veicular, pois os rastreadores permitem a recuperação veicular sem comprometer a segurança e são produtos mais completos e amplamente recomendados pelo mercado.

Vamos apresentar para você as duas ferramentas e quais as vantagens e desvantagens de cada uma delas.

O QUE É O BLOQUEADOR VEICULAR

O bloqueador veicular é um dispositivo instalado no veículo ou caminhão que tem como função o bloqueio da ignição ou o corte da bomba de combustível do veículo.

O bloqueador consiste em um conjunto eletrônico formado principalmente por um relé e os cabos de conexão, que se conectam ao circuito do veículo.

Esse dispositivo é controlado remotamente, dependendo apenas do sinal de telefonia na região onde o veículo está localizado para a transmissão do comando. Desta forma, fornece ao proprietário ou central de segurança, a possibilidade de executar o comando a qualquer momento e de qualquer lugar.

COMO FUNCIONA O BLOQUEADOR VEICULAR

Existem dois tipos de bloqueadores veiculares, o bloqueador de ignição e o corte da bomba de combustível.

No bloqueio da ignição o relé tem como função bloquear o funcionamento do motor de partida impedindo que o mesmo seja ligado. No caso do bloqueador da bomba de combustível, o relé desliga a bomba de combustível, simulando uma situação de pane seca no veículo. Assim, o veículo gradativamente perde velocidade e para, não conseguindo ligar novamente depois.

É RECOMENDÁVEL UTILIZAR O BLOQUEADOR VEICULAR?

O bloqueador veicular é um acessório muito utilizado para a proteção veicular contra roubos, sendo visto como um item de segurança. Porém, muitas pessoas não sabem que o uso desse acessório traz uma série de perigos e inseguranças para o veículo, podendo prejudicar o sistema de freio, direção e ainda provocar a perda da garantia.

As principais questões de segurança envolvendo o bloqueio, que tornam a sua recomendação indevida são:

1. Danos mecânicos ao veículo

O bloqueador veicular funciona de duas maneiras distintas:

  • Bloqueio da ignição;
  • Corte da bomba de combustível;

No caso do bloqueio da ignição do veículo o carro mantém o movimento, porém, com o motor parado. Assim, todo o sistema de direção fica travado, o volante fica mais rígido, assim como o sistema de freio. No caso do corte da bomba de combustível, o veículo passará a se movimentar apenas com base na sua inércia, com os elementos mecânicos do sistema de transmissão, polias, engrenagens, sendo sobrecarregados e desgastados.

De acordo com Gerson Burin, coordenador Técnico da CESVI BRASIL (Centro de Experimentação e Segurança Viária da MAPFRE) “no bloqueio da ignição, o carro continua em movimento; porém, com o motor parado e sem estar engrenado, as forças mecânicas de auxílio para direção hidráulica, vácuo do motor para o sistema de freio e até mesmo a geração de tensão pelo alternador para a direção elétrica são totalmente comprometidos, dificultando assim a dirigibilidade. Ou seja, se o motorista estiver em uma curva, por exemplo, o risco de acidentes é enorme. Estes mesmos problemas podem ocorrer com o corte do envio de combustível, também necessitando de força excessiva tanto para frear o carro quanto para controlá-lo”.

2. Bloqueio veicular não intencional

Em alguns casos é possível que o ocorra um problema durante a instalação do dispositivo ou mesmo um acionamento equivocado por parte do usuário do bloqueador, provocando o bloqueio não intencional do veículo em momento inoportuno.

Esse bloqueio do veículo pode ocorrer com o mesmo em movimento em um local de trânsito intenso ou até mesmo em um local deserto, colocando em risco a vida do motorista e demais pessoas no trânsito. Uma parada súbita do veículo pode provocar uma batida ou deixar o motorista parado em um local altamente perigoso.

3. Momento do acionamento

Mesmo em uma situação na qual o bloqueio foi acionado intencionalmente, por uma central ou pelo próprio usuário, é fundamental analisar se o veículo está parado ou em movimento naquele instante. O bloqueio do veículo em movimento pode provocar um acidente gravíssimo e coloca em risco a vida das pessoas no trânsito.

4. Falta de sinal para reiniciar o carro

Os dispositivos de bloqueio assim como os rastreadores veiculares se comunicam com a plataforma de monitoramento veicular ou com o celular através da rede de telefonia. Assim, para que ocorra o correto funcionamento do sistema é necessário que na região onde o veículo se encontra o sinal de telefonia seja satisfatório.

Após o bloqueio do veículo, é necessário enviar um novo comando que permite o seu desbloqueio. Caso o veículo esteja localizado em uma região de sombra, região onde o sinal de telefonia não existe, o dispositivo não irá se comunicar com o sistema de monitoramento veicular e não vai receber a informação.

Nesse caso, você ficará impossibilitado de reiniciar o veículo e ficará preso até que um técnico chegue até o veículo para a remoção do dispositivo.

Para o caso de uma empresa que trabalha com frotas isso pode representar o atraso em toda a sua operação, causando problemas com os clientes, atrasos de serviços, entregas, resultando em prejuízo financeiro para a operação.

Sabemos que no Brasil, principalmente em estradas federais e estaduais, o sinal de telefonia é muito fraco, deixando, portanto, seu veículo bastante exposto a esse tipo de situação.

5. Perda de garantia do veículo

A instalação do sistema de bloqueio é bastante invasiva no veículo, sendo necessário em alguns casos realizar o corte de fios do sistema elétrico do veículo. Esse tipo de instalação, não prevista e não recomendada pelo fabricante pode provocar a perda da garantia.

RASTREAMENTO VEICULAR: UMA ALTERNATIVA MAIS SEGURA

A CESVI Brasil indica que deve ser dada preferência ao rastreamento veicular, pois os rastreadores permitem a recuperação veicular sem comprometer a segurança e são produtos mais completos e amplamente recomendados pelo mercado.

Além disso, é de fundamental importância que sejam instalados produtos de confiança, homologados pela Anatel. Produtos clandestinos podem danificar o veículo e apresentar comportamento indevido.

O rastreamento veicular e monitoramento de frotas consiste no acompanhamento em tempo real da posição do veículo, associado ao histórico de rotas percorridas, locais visitados e ferramentas de alerta e cercas virtuais. Alguma das principais características do monitoramento de frotas são:

  • Geolocalização dos veículos;
  • Endereço e data de cada localização;
  • Histórico de eventos (ignição ligada e desligada, início de movimento e parada, entre outros);
  • Distância percorrida;
  • Excesso de velocidade;
  • Cercas virtuais;
  • Alertas;

Desta maneira, é possível ter um relatório completo da operação de cada veículo, do início ao fim da jornada de trabalho, como horário de chegada e saída de clientes, distância percorrida, parada em locais não permitidos, a fim de analisar problemas operacionais e tomar ações para suas soluções de maneira rápida. Além disso, é possível ter um melhor controle sob o modo de condução do motorista, produtividade do veículo, multas, consumo de combustível entre outras informações.