Tacógrafo, ou cronotacógrafo, é o equipamento que registra de forma inalterável a velocidade, a distância e o tempo de direção e de parada do veículo. Ele é obrigatório em caminhões com mais de 4.536 kg de peso bruto, ônibus com mais de 10 lugares e veículos escolares.
Em uma blitz, o tacógrafo é um dos primeiros itens verificados em caminhões e ônibus. Para o Código de Trânsito Brasileiro, ele é equipamento obrigatório, e um aparelho defeituoso ou sem aferição pode parar o veículo na estrada.
Além da fiscalização, o tacógrafo guarda dados valiosos para o gestor: velocidade, quilometragem e o tempo de direção e descanso de cada viagem.
Neste guia, você vai entender o que é o tacógrafo, como ele funciona, quais tipos existem, quando o uso é obrigatório e como aproveitar esses dados na gestão da frota.
O que é tacógrafo?
Tacógrafo é o equipamento que registra, de forma contínua e inalterável, a velocidade, a distância percorrida e o tempo em que o veículo esteve em movimento ou parado.
No Brasil, ele também é chamado de cronotacógrafo. No Código de Trânsito, aparece com o nome técnico de “registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo” (CTB, art. 105).
O nome vem do grego: “tacho” significa velocidade, e “grafo” significa registro.
Como funciona o tacógrafo
O tacógrafo fica no painel do veículo e recebe o sinal de um sensor ligado à transmissão. A cada instante, ele grava a velocidade e o tempo.
Com esses registros, é possível saber:
- a velocidade em cada momento da viagem;
- a distância percorrida;
- os períodos de direção e de parada;
- o tempo de jornada do motorista, quando há identificação do condutor.
O registro é inalterável. Por isso, ele serve de prova em fiscalizações, auditorias e análises de acidentes.
Quais são os tipos de tacógrafo?
Existem três tipos principais, que se diferenciam pela forma de registrar os dados.
Tacógrafo analógico
É o modelo mais antigo. Uma agulha marca a velocidade, a distância e o tempo em um disco de papel, chamado disco-diagrama.
O disco precisa ser trocado periodicamente, em geral a cada 24 horas ou a cada semana, conforme o modelo. Depois, os discos devem ser guardados para consulta.
Tacógrafo digital
Grava os dados em memória eletrônica, sem disco de papel. Em alguns modelos, o motorista se identifica com um cartão.
Os dados podem ser baixados para o computador ou impressos em um cupom, o que facilita a fiscalização e a análise.
Tacógrafo eletrônico
É um modelo de transição entre os dois anteriores. Combina o registro em disco com sensores eletrônicos e um display digital.
| Tipo | Como registra | Ponto forte | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Analógico | Disco de papel | Simples e conhecido | Troca e arquivamento dos discos |
| Digital | Memória eletrônica e, às vezes, cartão do motorista | Dados fáceis de baixar e analisar | Exige leitura periódica dos dados |
| Eletrônico | Disco de papel com sensores e display | Leitura mais fácil no painel | Mantém a gestão dos discos |
Quando o tacógrafo é obrigatório?
O artigo 105 do CTB define quais veículos precisam ter tacógrafo. O uso é obrigatório em:
- veículos de carga com peso bruto total (PBT) acima de 4.536 kg;
- veículos de transporte de passageiros com mais de 10 lugares;
- veículos de transporte e condução escolar.
O transporte de produtos perigosos também exige o equipamento, independentemente do peso do veículo (Moura).
Carros e utilitários leves de uso particular não precisam de tacógrafo.
Verificação do Inmetro: de quanto em quanto tempo?
O tacógrafo precisa passar por verificação metrológica a cada 2 anos, em um posto credenciado pelo Inmetro. A verificação confirma que o aparelho registra corretamente velocidade, distância e tempo.
Ao final, o posto emite o certificado de verificação e lacra o equipamento. O certificado pode ser consultado no portal do cronotacógrafo da Rede Brasileira de Metrologia Legal.
A verificação também é necessária após reparos, troca do aparelho ou rompimento do lacre.
O que acontece se o tacógrafo estiver irregular?
O CTB considera infração conduzir o veículo sem equipamento obrigatório ou com o registrador “viciado ou defeituoso, quando houver exigência desse aparelho” (art. 230). Na prática, isso inclui:
- veículo obrigado a ter tacógrafo e sem o equipamento;
- aparelho com defeito ou sem funcionar;
- lacre rompido ou equipamento violado;
- verificação do Inmetro vencida.
A infração é grave. Além de multa e pontos na CNH, o veículo fica retido até a regularização, o que significa carga parada e atraso na entrega.
O motorista também responde pela guarda e pela exatidão das informações registradas no equipamento (CTB, art. 67-E).
Tacógrafo e controle de jornada (Lei 13.103)
A Lei 13.103, conhecida como Lei do Motorista, determina que o tempo de direção seja controlado e registrado. O tacógrafo é uma das formas aceitas para esse controle.
A lei também admite o diário de bordo, a papeleta ou ficha de trabalho externo e meios eletrônicos instalados no veículo.
Com o tacógrafo, o gestor consegue conferir se o motorista respeitou o limite de 5 horas e meia de direção contínua e as pausas obrigatórias.
Tacógrafo ou telemetria: qual a diferença?
O tacógrafo atende a uma exigência legal e registra velocidade e tempo. A telemetria veicular vai além e envia os dados do veículo em tempo real para uma plataforma.
| Dúvidas | Tacógrafo | Telemetria |
|---|---|---|
| Para que serve | Cumprir a lei e registrar velocidade, distância e tempo | Gerir a frota com dados de condução, motor e consumo |
| Obrigatório? | Sim, para os veículos do art. 105 do CTB | Não, é uma escolha de gestão |
| Quando os dados chegam ao gestor? | Depois da leitura do disco ou da memória | Em tempo real |
| O que registra? | Velocidade, distância, tempo de direção e parada | Além disso, RPM, freadas, acelerações, marcha lenta e consumo |
| Emite alertas? | Não | Sim, como excesso de velocidade e motor ligado parado |
A telemetria não substitui o tacógrafo nos veículos obrigados a tê-lo. As duas tecnologias se completam.
Como usar os dados do tacógrafo na gestão da frota
O tacógrafo não serve só para a fiscalização. Bem usados, os dados ajudam a:
- Controlar o excesso de velocidade: identificar motoristas e trechos com velocidade acima do permitido. Veja como reduzir multas por excesso de velocidade.
- Acompanhar a jornada: conferir tempo de direção, pausas e descansos de cada motorista.
- Planejar a manutenção: usar a quilometragem registrada para programar revisões.
- Apoiar auditorias e perícias: ter um registro inalterável em caso de acidente ou contestação.
O desafio é que discos e downloads de memória dão trabalho e chegam com atraso. Por isso, muitas frotas combinam o tacógrafo com telemetria e identificação do motorista, para ver os mesmos dados em tempo real.
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