O uso do tacógrafo é algo comum e rotineiro nas operações de transporte. Sua utilização nos veículos de frota é obrigatória desde a implantação do Art. 105, inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e das Resoluções do CONTRAN nº 14/98 e 87/99.

Apesar de ser mais uma obrigação na rotina do gestor de frotas, o tacógrafo desempenha funções estratégicas no controle da jornada do motorista e, principalmente, no controle da velocidade, contribuindo diretamente para a segurança viária e a conformidade legal da operação.

Por isso, separamos este artigo para explicar o que é o tacógrafo, como ele funciona, quais são os tipos existentes e por que seu uso é obrigatório nos veículos de transporte. Boa leitura!

O que é o tacógrafo?

O tacógrafo é um dispositivo utilizado nos veículos para monitorar o tempo de uso do veículo, a velocidade e a quilometragem percorrida.

Muitas vezes, o tacógrafo é comparado à caixa preta de um avião, pois tem como função registrar dados das viagens realizadas pelo veículo ao longo da operação.

Seu objetivo principal é assegurar que os motoristas cumpram as horas de direção com base na Lei do Motorista e não dirijam em velocidades acima da permitida, garantindo o controle da jornada e o cumprimento da legislação de trânsito.

Sendo, portanto, uma importante ferramenta para o gestor de frotas e para as autoridades rodoviárias, que analisam as informações registradas em fiscalizações nas estradas.

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Como funciona um tacógrafo?

Imagem comparativa mostrando os tipos de tacógrafo: modelo analógico com disco de papel registrando velocidade e modelo digital com display eletrônico exibindo dados de jornada e quilometragem.

O tacógrafo não é apenas um dispositivo obrigatório, mas também um elemento essencial para medir o tempo de direção e a velocidade nas estradas.

O funcionamento do tacógrafo envolve a combinação de engrenagens mecânicas e elementos eletrônicos. À medida que o veículo se desloca, o equipamento registra informações precisas sobre a velocidade desenvolvida, os intervalos de parada e os momentos em que o motorista está em atividade.

Esses dados são representados graficamente em um disco (no modelo analógico) ou armazenados digitalmente (no modelo digital). A partir dessas informações, é possível obter um perfil detalhado da jornada, essencial para o monitoramento do tempo de condução e para garantir o cumprimento das regulamentações de trânsito.

Na prática, o tacógrafo registra:

  • Velocidade do veículo ao longo do trajeto;
  • Tempo em movimento e tempo parado;
  • Distância percorrida durante a operação.

Esses registros permitem que gestores e autoridades verifiquem se a jornada e os limites de velocidade estão sendo respeitados.

Quais são os tipos de tacógrafos

Existem no mercado, principalmente, três modelos de tacógrafos: o analógico, o digital e o eletrônico. Cada um possui características próprias de registro e armazenamento de dados, mas ambos cumprem a mesma função legal de controlar velocidade, tempo de direção e distância percorrida.

Nos próximos tópicos, vamos explicar como funciona cada tipo de tacógrafo e quais são as principais diferenças entre eles.

Tacógrafo Analógico

Estima-se que 90% da frota brasileira ainda utilize a versão analógica do tacógrafo, uma vez que é mais acessível e atende ao principal objetivo do gestor de frotas com esse equipamento: cumprir a legislação.

Além disso, o fato de a maioria dos caminhões não sair de fábrica com tacógrafo digital contribui para a manutenção do modelo analógico como o mais utilizado no país.

As informações sobre a jornada ficam registradas no disco diagrama. Apesar do armazenamento físico em disco, a interpretação dos dados pode ser feita por meio de softwares de gestão de frotas, que extraem relatórios detalhados da operação.

No centro do disco são registradas informações como identificação do motorista, placa do veículo, local de partida e chegada e data da operação, garantindo o controle da jornada e facilitando fiscalizações.

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Tacógrafo Digital

O tacógrafo digital é bastante similar ao tacógrafo analógico, porém possui a capacidade de registrar um volume maior de informações, como variações de velocidade, eventos específicos da condução e, em alguns modelos, dados relacionados ao uso do cinto de segurança. As informações são registradas em um rolo impresso, semelhante a uma nota fiscal, ou armazenadas eletronicamente para posterior extração de relatórios.

Nesse sentido, os tacógrafos se aproximam dos sistemas de rastreamento veicular. Os rastreadores registram a posição do veículo, velocidade, quilometragem e rota realizada. O tacógrafo, por sua vez, não registra a rota percorrida e não fornece informações em tempo real ao gestor de frotas, o que representa uma limitação operacional quando comparado às tecnologias de telemetria.

No caso do tacógrafo, é necessário aguardar o retorno do motorista para que o disco (no modelo analógico) ou o rolo impresso/dados digitais sejam coletados e enviados para análise em software especializado. O sistema, então, interpreta as informações registradas e gera relatórios com dados relevantes sobre velocidade, tempo de direção e conformidade com a legislação.

Entretanto, os rastreadores veiculares não substituem o tacógrafo para fins legais. Mesmo registrando informações semelhantes, eles não são aceitos como equipamento oficial em fiscalizações, pois o tacógrafo possui homologação específica e permite a impressão imediata dos dados pelas autoridades rodoviárias durante a inspeção.

Tacógrafo eletrônico

O tacógrafo eletrônico utiliza sinais eletrônicos para registrar as informações da viagem nos chamados discos diagrama, mantendo o formato físico de armazenamento, mas com um sistema interno mais moderno do que o modelo puramente mecânico.

Por conta disso, é um modelo geralmente mais compacto que o analógico tradicional e pode oferecer maior precisão no registro da velocidade e do tempo de direção. No entanto, ele ainda depende do disco físico para armazenamento das informações e não possui o mesmo nível de integração e extração de dados do tacógrafo digital.

Na prática, o tacógrafo eletrônico funciona como uma evolução do modelo analógico, mantendo o registro em disco, mas utilizando componentes eletrônicos para tornar a medição mais precisa e confiável.

Como preencher o disco de tacógrafo?

Conforme a Resolução no 938/2022 do Contran, é importante ter informações mínimas registradas no tacógrafo e estarem disponíveis a qualquer momento.

As informações registradas automaticamente pelo aparelho são:

  • Velocidade desenvolvida;
  • Distância percorrida;
  • Tempo de movimentação do veículo e suas interrupções;
  • Hora do início da operação;
  • Identificação de abertura do compartimento que contém o disco.

Já as informações que devem ser registradas manualmente no aparelho são:

  • Data de início da operação;
  • Identificação do veículo;
  • Identificação dos condutores.

Se a fiscalização não encontrar essas informações, o veículo e a sua empresa podem ser multados. Então, fique atento e verifique se está tudo correto.

Como cadastrar motorista no tacógrafo digital?

O cadastro de motorista pode variar de acordo com o modelo do tacógrafo digital. No entanto, o importante é colocar o código do motorista no aparelho e adicionar o motorista para iniciar a viagem.

É importante ressaltar que o tacógrafo é uma ferramenta a mais que auxilia nas informações sobre o trabalho e rota realizada pelo motorista. No entanto, ele não deve ser a única fonte de informação sobre a jornada de trabalho do motorista.

Você sabe como está
o modo de condução
dos seus motoristas?

Telemetria Veicular

Por que o uso do tacógrafo é obrigatório?

Com as informações fornecidas pelo tacógrafo, o gestor pode acompanhar as paradas do motorista em cada viagem e aliar essas informações a outros registros de jornada de trabalho. Além disso, ele permite uma maior segurança no trânsito, maior eficiência e redução de custos com combustível.

Quem precisa de tacógrafo?

O uso do tacógrafo não é obrigatório em todas as situações. O Código de Trânsito brasileiro estabelece que o seu uso é obrigatório nas seguintes situações:

  • Veículos de transporte escolar;
  • Veículos de transporte de passageiros com mais de 10 lugares;
  • Veículos de transporte de carga com peso bruto total superior a 4536 kg;
  • Veículos de carga com capacidade máxima de tração superior a 19t.

Leia também: A importância da telemetria para o setor de cargas pesadas

O que acontece caso o caminhão não tenha o tacógrafo

A ausência do equipamento pode provocar multas e sanções ao proprietário do veículo. Além disso, é importante lembrar que o tacógrafo precisa estar homologado pelo INMETRO.

Antes de começar a rodar e periodicamente o tacógrafo precisa ser inspecionado, testado, calibrado e homologado por um estabelecimento autorizado pelo INMETRO. Durante a inspeção a Polícia Rodoviária pode solicitar a apresentação do certificado do tacógrafo.

Multas e sanções ao proprietário

Não utilizar o tacógrafo em veículos nos quais ele é obrigatório pode gerar multas pesadas, pontos na CNH e até retenção do veículo. A legislação exige que os dados coletados estejam sempre disponíveis para fiscalização, e a ausência ou mau funcionamento do equipamento é considerada infração grave.

Riscos à segurança

A ausência de registros confiáveis pode aumentar os riscos de acidentes de trânsito. Já que o tacógrafo ajuda a controlar o tempo ao volante, evitando que motoristas ultrapassem os limites seguros de jornada e direção. Isso é crucial para preservar a saúde do condutor e a segurança nas estradas.

Impacto na credibilidade da empresa

Uma empresa que negligencia o uso do tacógrafo transmite uma imagem de desorganização e falta de compromisso com as leis e a segurança. Ou seja, pode afetar contratos, parcerias e até a confiança dos próprios colaboradores. Afinal, empresas sérias utilizam o equipamento como parte da cultura de responsabilidade.

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Vantagens do uso do tacógrafo

O tacógrafo, assim como o sistema de rastreamento veicular, registra informações a respeito da operação de transporte que podem ser utilizadas de maneira gerencial pelo gestor de frotas, para que ele possa compreender mais sobre a sua operação.

Infográfico mostrando as vantagens do uso do tacógrafo na gestão de frotas, com caminhão ao centro e ícones representando controle de velocidade, quilometragem, redução de acidentes, manutenção preventiva, conformidade legal e controle da jornada do motorista.

Controle de excesso de velocidade

O tacógrafo tem um registro contínuo da velocidade do veículo ao longo da viagem, assim o gestor poderá depois verificar se o motorista ultrapassou o limite de velocidade permitido.

O gestor pode utilizar esses dados como ferramenta de controle e educação, orientando os motoristas na melhoria dos hábitos de direção e reduzindo acidentes e multas de trânsito.

Controle de quilometragem

Os dados registrados no tacógrafo permitem a avaliação da quilometragem percorrida pelo veículo no dia ou semana, permitindo ao gestor ter um controle das distâncias reais percorridas em cada viagem.

Redução de acidentes e multas

A partir do controle do excesso de velocidade, o gestor de frotas pode adotar uma política de educação e treinamento dos seus motoristas e verificar se eles estão segundos as políticas de direção defensiva da empresa.

Desta forma, com os dados do tacógrafo é possível auxiliar os motoristas a dirigirem de maneira mais segura, evitando acidente e multas.

Melhoria na gestão de manutenção

Com os dados do tacógrafo, é possível monitorar o uso do veículo e prever com mais eficiência a necessidade de manutenções. Logo, evita desgastes excessivos e quebra de componentes importantes, promovendo uma gestão mais estratégica da frota e redução de custos com reparos emergenciais.

Aumento da conformidade com normas de segurança

O tacógrafo é essencial para garantir a conformidade com normas como a Resolução nº 525 do CONTRAN e as exigências da CLT sobre o controle da jornada dos motoristas. Cumprir essas normas não é apenas uma obrigação legal, mas também um diferencial competitivo no mercado.

Facilidade em auditorias e verificações

Empresas auditadas com frequência, seja por clientes, certificadoras ou órgãos públicos, precisam apresentar dados precisos e organizados. O tacógrafo permite registrar e arquivar informações cruciais que facilitam auditorias, o que evita retrabalho e reduzi o risco de penalidades.

Controle da jornada do motorista

Os dados do tacógrafo permitem a avaliação de momentos de pausa, pois registram a velocidade zero do veículo, bem como registram todo o período em direção.

Assim, o gestor poderá ter uma visão geral da duração da jornada do motorista, duração de pausas e tempo de direção para garantir que a legislação está sendo cumprida.

Para garantir o bom funcionamento verifique sempre se houve adulteração no tacógrafo, avalie o seu funcionamento antes da saída do veículo (coloque o tacógrafo com um dos itens de checagem do checklist de saída da garagem) e controle a data de validade para não perder o prazo para calibração e homologação junto ao INMETRO.

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FAQ INFLEET – Tacógrafo

Confira algumas dúvidas comuns sobre o tema:

Como escolher o tacógrafo?

ai depender do orçamento disponível na sua empresa e, claro, o melhor que atenda às suas necessidades.

Se o tacógrafo analógico puder cumprir tudo que precisa, pode escolher. No entanto, se puder adquirir o tacógrafo digital, será melhor ainda pela quantidade de informações que ele registra.

Qual é o valor de um tacógrafo?

O valor de um tacógrafo varia de acordo com o modelo. Os preços podem ir de R$ 38,00 até R$ 1.890,00 em média.

O preço varia conforme a escolha da tecnologia do tacógrafo e o tipo de veículo em que o tacógrafo pode ser instalado.

O que diz a legislação diz sobre tacógrafo?

A legislação brasileira exige o uso de tacógrafo em veículos de transporte de cargas com peso bruto total superior a 4.536 kg e em veículos de transporte coletivo com mais de 10 passageiros. O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), por meio da Resolução nº 798/2020, determina que esses veículos devem possuir um registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo, popularmente conhecido como tacógrafo.

A lei também obriga a realização da verificação metrológica do equipamento a cada dois anos, conforme o INMETRO. Dessa forma, a legislação garante o monitoramento contínuo da jornada dos motoristas, da velocidade e do tempo de condução, promovendo mais segurança nas estradas.

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    Henrique Viana

    Henrique Lima

    Founder e Diretor comercial na INFLEET, Henrique une formação em engenharia a uma visão estratégica de mercado. Lidera times de vendas e transforma dados em soluções práticas que ajudam empresas a otimizar frotas, reduzir custos e crescer com segurança e eficiência.

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