Para quem gere frotas, janeiro não é o mês da “folha em branco” ou de resoluções poéticas: é o mês do impacto. Afinal, é o momento em que você abre o sistema e vê centenas de e-mails acumulados, multas do período de festas que acabaram de chegar e veículos que, após alguns dias parados, decidem apresentar aquela pane inesperada no pátio.

Mas o desafio mais complexo não é mecânico: é humano. Isso porque o retorno das férias gera o que chamamos de “conflito de ritmos”. De um lado, a empresa acelera para bater as metas de início de ano; do outro, o motorista e o administrativo ainda estão com a mente no asfalto da viagem pessoal.

Continue lendo para entender mais sobre o janeiro branco!

Manutenção preventiva da atenção (o fator humano)

Em janeiro, o índice de pequenos incidentes e erros operacionais costuma subir. Porquê? Porque o condutor e a equipe administrativa podem estar ainda em “modo-férias” ou seja, fisicamente presente, mas desejando ainda estar de férias.

Ação para o gestor: não comece o primeiro dia com uma reunião de cobrança agressiva. Faça um DDS (Diálogo Diário de Segurança) de Reentrada. Valide que o retorno é difícil.

Quando o gestor demonstra empatia pelo esforço de “voltar ao ritmo”, ele cria segurança psicológica. Além disso, um motorista que se sente respeitado na sua transição mental conduz com muito mais atenção do que aquele que está sob pressão e ansiedade.

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O filtro de ar: filtrando o acúmulo de atividades

Se tudo é prioridade, nada é prioridade. O acúmulo de e-mails e relatórios de telemetria pode causar paralisia ou, pior, decisões apressadas que custam caro (o famoso “atropelar processos”).

Ação tática: aplique a hierarquia do transporte. Para isso, divida as pendências em três caixas:

  • Caixa 1: Segurança e disponibilidade (Crítico): problemas mecânicos, exames de motoristas vencendo e pneus. Resolva isso nas primeiras 4 horas do dia;
  • Caixa 2: Metas e performance (Importante): análise de CPK (Custo por Quilómetro) e consumo de diesel. Trate disso em blocos de tempo à tarde;
  • Caixa 3: Burocracia de arquivo (Delegável): e-mails informativos e relatórios de rotina. Deixe para o final do dia ou delegue.

Gerindo a “angústia do prazo”: metas de 2026 no horizonte

Muitas empresas de transporte já começam janeiro pressionando pelos indicadores do ano inteiro. Essa pressão projetada para o futuro gera angústia e retira o foco do “Aqui e Agora” — que é onde os acidentes acontecem.

Ação tática: não tente recuperar o mês inteiro na primeira semana. Fatie a meta. Isto é, se o objetivo é reduzir acidentes ou custos em 10% no ano, foque na constância da operação hoje. O sucesso de uma frota não vem de grandes arrancadas, mas da manutenção de um ritmo sustentável.

Lembre-se: motor fundido não chega ao destino.

Telemetria e fadiga: o olhar de gestor

Fique atento aos alertas de excesso de velocidade neste mês. É comum o colaborador querer “tirar o atraso” das atividades acumuladas acelerando na estrada, bem como ter divagações a respeito da vida, dos conflitos gerados pelos encontros do final de ano ou até ficar elaborando mentalmente estratégias para quitar as dívidas e acaba descontando (muitas vezes sem perceber) no acelerador.

Dica organizacional: use os dados de telemetria para cuidar, não apenas para punir. Por isso, se observar um padrão de condução agressiva no retorno, chame para uma conversa privada. Pergunte: “Como foi o teu descanso? Estás com muita carga acumulada?”. Muitas vezes, um ajuste na escala de trabalho de um condutor exausto evita uma perda total de um ativo da empresa.

Conclusão: você é o eixo da operação

Janeiro exige que você seja resiliente, mas também autêntico. Por isso, se a carga está pesada demais, sinalize. Se os prazos da diretoria são irreais para a segurança da frota, apresente os dados.

Sua função é garantir que a engrenagem rode, mas você é o responsável por não deixar ninguém (inclusive você) quebrar no caminho. A estrada é longa, e o ano está apenas no primeiro quilómetro.

Boa rota e pé no freio da ansiedade!

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    Tatiana Vasconcelos

    Psicóloga clínica e organizacional, consultora de RH, professora universitária, treinadora e palestrante.

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