Sabemos que um dos pilares da gestão de frotas eficiente é o da conformidade, ou seja, garantir que a sua operação esteja alinhada à legislação vigente. No caso de empresas que lidam com transporte, uma das principais leis a que o gestor deve ficar atento é a Lei do Motorista (Lei 13.103, de 2 de março de 2015).

Essa lei dispõe sobre o exercício da profissão de motorista para disciplinar a jornada de trabalho e o tempo de direção do motorista profissional.

No mundo empresarial, problemas trabalhistas são constantes; por isso, é importante estar atento a todos os detalhes, se planejar e cumprir detalhadamente o que está disposto na lei.

Então, se você tem dúvidas sobre o que é abordado na Lei do Motorista, o que sua empresa precisa fazer para se adequar ou o que significam tempo de direção, tempo de descanso e tempo de espera, este artigo vai ajudar.

Por outro lado, se você é motorista profissional e quer entender melhor seus direitos, deveres e como a sua jornada deve ser regulada, siga a leitura.

O que diz a Lei do Motorista?

A lei n.º 13.103, de 2 de março de 2015, conhecida como Lei do Motorista, dispõe sobre a profissão do motorista para definir e controlar a jornada de trabalho e o tempo de direção do motorista profissional de transporte rodoviário de carga ou passageiros.

A lei define a categoria de motorista profissional como:

“Integram a categoria profissional de que trata esta Lei os motoristas de veículos automotores cuja condução exija formação profissional e que exerçam a profissão nas seguintes atividades ou categorias econômicas:

I – de transporte rodoviário de passageiros;

II – de transporte rodoviário de cargas.”

Além de estabelecer requisitos para a jornada de trabalho, a legislação também impõe obrigações às empresas. Ou seja, o gestor de frota e todos aqueles que fazem parte da gestão precisam ficar atentos à aplicação, atualização e cumprimento da lei vigente.

Vale ressaltar que, no Brasil, mais de 65% da carga é transportada pelo modal rodoviário. Além disso, o transporte rodoviário de passageiros continua sendo um dos principais meios de mobilidade no território nacional, com milhões de pessoas utilizando ônibus regularmente tanto em trajetos urbanos quanto interestaduais, um reflexo da importância desse segmento para a economia e para a vida cotidiana da população.

Principais regras da Lei do Motorista

Sabemos que essa determinação governamental pode gerar dúvidas. Por isso, acompanhe a INFLEET e descubra os principais pontos da Lei 13.103.

lei do motorista
Principais regras da Lei do Motorista

1. Jornada do motorista

A Lei 13.103 estabelece o tempo máximo da jornada de trabalho do motorista profissional e as condições para sua prorrogação. A jornada padrão do motorista é de 8 horas diárias, podendo ser prorrogada em até 2 horas extras ou até 4 horas mediante acordo ou convenção coletiva, conforme o Artigo 235-C:

“A jornada diária de trabalho do motorista profissional será de 8 (oito) horas, admitindo-se a sua prorrogação por até 2 (duas) horas extraordinárias ou, mediante previsão em convenção ou acordo coletivo, por até 4 (quatro) horas extraordinárias.”

O conceito de tempo de trabalho efetivo refere-se ao período em que o motorista está à disposição do empregador, excluindo os intervalos para refeição, repouso, descanso e espera.

O motorista tem direito a 1 hora de refeição, que pode coincidir com a parada obrigatória.

2. Tempo de direção

O tempo de direção, como o nome já deixa bem claro, é o tempo efetivo do motorista conduzindo o veículo.

“Entende-se como tempo de direção ou de condução apenas o período em que o condutor estiver efetivamente ao volante, em curso entre a origem e o destino.”

Segundo a legislação, o motorista, seja ele motorista de transporte rodoviário de carga ou motorista de passageiros, não poderá ter um tempo contínuo de direção superior a 5 horas e 30 minutos.

Quantas horas um motorista pode dirigir por dia?

A jornada diária do motorista deve ser de 8 horas, podendo ser estendida em até 2 horas extras (ou 4 horas mediante acordo coletivo). A jornada semanal não pode ultrapassar 44 horas.

Tempo de descanso

A lei assegura 11 horas de descanso a cada 24 horas, que podem ser fracionadas da seguinte forma:

  • Primeira pausa: mínimo de 8 horas ininterruptas;
  • Horas restantes: até 3 horas, que podem ser distribuídas dentro das próximas 16 horas

Em viagens de longa distância (mais de 24 horas fora da base ou de casa), o motorista realiza o repouso no veículo ou em alojamento. Além disso, não é permitido dividir ou acumular o descanso semanal.

O descumprimento dos períodos de descanso e direção acarreta multas para a empresa e penalidades para o motorista.

Tempo de espera

Não é considerado jornada de trabalho o tempo em que o motorista ou ajudante permaneçam espontaneamente no veículo usufruindo de intervalos de repouso.

3. Intervalo interjornada

De acordo com a Lei 13.103, o motorista profissional tem direito a um intervalo interjornada obrigatório de 11 horas a cada 24 horas.

  • O veículo deve estar parado durante esse período;
  • Pelo menos 8 horas de descanso devem ser contínuas;
  • As 3 horas restantes podem ser fracionadas, desde que dentro das 16 horas seguintes ao primeiro descanso.

Mas, fique atento: caso o descanso não seja cumprido e o motorista trabalhe nesse período, a empresa deve pagar horas extras, com acréscimo de 50% sobre o valor da hora normal.

4. Exames médicos

Segundo a Lei dos Motoristas, os exames médicos e toxicológico são obrigatórios para os condutores das categorias C, D e E.

O motorista deve realizar os exames médicos e toxicológicos nos seguintes momentos:

  • Antes de começar o trabalho;
  • A cada 2 anos e 6 meses de serviço.

Os motoristas ainda podem utilizar esses exames para a renovação da CNH e podem pedir a contrapartida caso aponte algo. Além disso, é possível utilizar esses exames para a renovação da CNH, sem a necessidade de realizar aqueles previstos pelo CTB.

Exame toxicológico

Se o exame toxicológico der positivo, o gestor não deve demitir o motorista imediatamente.

O gestor de frota deve avaliar a situação e pode encaminhar o motorista ao INSS para investigação mais detalhada, esclarecendo dúvidas e buscando uma solução adequada.

Vale ressaltar que os tribunais não consideram o uso de substâncias ligado à dependência química como motivo para demissão. Nesse contexto, trata-se de uma doença, e não de falta disciplinar.

5. Registro da jornada do motorista em diário de bordo

Um dos pontos mais importantes da lei 13103, está relacionada ao diário de bordo do motorista, local onde é feito o registro da jornada do profissional ao longo do dia de trabalho.

Exemplo de motorista profissional registrando a jornada de trabalho em diário de bordo digital, seguindo as regras da Lei 13.103 para controle de direção, descanso e conformidade na frota.

Dessa forma, ter o registro passou a ser um elemento essencial para o gestor de frotas poder comprovar que o motorista de fato seguiu as regras da lei durante a sua jornada. Existem diversas formas para realizar o registro do diário de bordo do motorista. As principais delas são:

  • Registro em papel: ficha preenchida manualmente todos os dias pelo motorista;
  • Teclado embarcado: o motorista usa um sistema de teclado para digitar o código de cada operação realizada, e o sistema registra automaticamente a jornada ao final do dia.;
  • Aplicativo de controle da jornada do motorista: o motorista utiliza um aplicativo, semelhante ao teclado embarcado, para registrar as ações realizadas durante o dia, e o sistema gera um relatório completo ao final da jornada.

Aqui é importante frisar o seguinte ponto de atenção: as jornadas invariáveis.

O TST considera inválidas as jornadas com horários iguais de início e término, invertendo o ônus da prova para o empregador, conforme a Súmula 338, III.

Qual a importância do diário de bordo para a sua gestão de frotas?

Isso significa que se você faz o registro do diário de bordo da jornada do motorista em uma ficha preenchida manualmente pode apresentar erros, inconstâncias e inverdades sobre o que realmente aconteceu.

Esse documento não comprova que o motorista cumpriu a jornada de trabalho em um eventual processo trabalhista. Sendo necessário que você, empregador, busque outras provas legais e verdadeiras, o que pode se tornar um grande problema e demandar bastante tempo.

Por isso, um bom sistema na gestão de frota faz toda a diferença. Como o App INFLEET que é uma solução destina a facilitar a vida de gestores de frotas, trazer mais segurança para os motoristas e reduzir os custos desnecessários.

Como fazer o registro da jornada do motorista?

O motorista profissional pode registrar a jornada de três formas, garantindo conformidade com a Lei 13.103, servindo como prova e permitindo o acompanhamento efetivo do trabalho.

Controle manual

Feito em papel, o motorista preenche diariamente uma ficha com início e término da jornada, pausas, tempo de direção e descanso.

  • Vantagens: simples e de baixo custo.
  • Limitações: maior risco de erros, inconsistências e fraudes; pode não ser aceito como prova em processos trabalhistas sem comprovação adicional.

Controle com tacógrafo

O tacógrafo registra automaticamente informações como velocidade, distância percorrida, tempo de direção e períodos de descanso, gerando um histórico detalhado da jornada.

  • Vantagens: precisão, conformidade com a lei e histórico confiável.
  • Limitações: exige instalação do equipamento e treinamento para interpretação dos dados.

Controle digital

Através de aplicativos específicos, o motorista registra todas as ações durante o dia. No final da jornada, o sistema gera relatórios completos e organizados.

  • Vantagens: automatização, redução de erros e integração com sistemas de gestão de frota, como o App INFLEET, permitindo análise em tempo real.
  • Limitações: requer acesso a dispositivos digitais e treinamento inicial.

Dica do gestor de frota: escolha o método que combine precisão, praticidade e segurança legal, podendo até integrar métodos (por exemplo, tacógrafo + aplicativo) para maior confiabilidade e controle operacional.

O que acontece quando a lei do motorista é descumprida?

O descumprimento da Lei 13.103 traz consequências sérias para empresas e motoristas. Além de multas e penalidades, práticas abusivas, como jornadas de trabalho excessivas, colocam em risco a vida do motorista e de terceiros.

Esses erros também geram gastos desnecessários com penalidades, impactando diretamente os custos operacionais da frota.

Para evitar problemas, siga a legislação rigorosamente e ofereça um ambiente de trabalho seguro e conforme a lei, protegendo seus colaboradores e garantindo a conformidade legal da operação.

Garanta a conformidade da sua frota com a INFLEET

Cumprir a Lei 13.103 é essencial para proteger a sua operação, garantir a segurança dos motoristas e evitar multas e penalidades. O registro correto da jornada, o controle de direção, descanso e intervalos, assim como o acompanhamento por ferramentas digitais, tornam a gestão de frota mais segura, eficiente e conforme a legislação.

Com soluções como o App INFLEET, você pode automatizar o registro da jornada, acompanhar relatórios em tempo real e reduzir erros e riscos operacionais.

Dê o próximo passo: facilite a gestão da sua frota, proteja seus motoristas e mantenha sua operação 100% conforme a lei com a INFLEET. Saiba mais e agende uma demonstração!

Principais perguntas sobre a Lei n° 13.103

Ainda existem várias dúvidas sobre a Lei do Motorista, principalmente, após a mudança de 2023. Sendo fundamental que o gestor acompanhe todas as atualizações para manter sua frota operando conforme a legislação.

Deve ficar atento à:

Quando o motorista tem direito a diária?

Nesse caso, é preciso ficar atento também ao sindicato do motorista para avaliar qual o valor estabelecido em convenção coletiva entre os sindicatos empresariais e o sindicato do motorista

Jornada de trabalho motorista ônibus rodoviário

A regra geral para carga horária do motorista é de que a duração do trabalho não poderá ser superior a 8 horas diárias, de acordo com o art. 58 do Decreto-Lei n.º 5.452/1943 – Consolidação das Leis do Trabalho – CLT.

Por que o governo criou a Lei do Motorista?

A Lei do Motorista define e controla a jornada de trabalho e o tempo de direção dos motoristas profissionais de transporte rodoviário de carga ou passageiros.

Lei do Caminhoneiro existe?

Na verdade, a Lei do Caminhoneiro é a mesma da Lei do Motorista. O que muda, somente, é o nome.

O motorista tem o tempo de espera entre carga e descarga contabilizado como jornada de trabalho?

Sim, é jornada de trabalho. Por isso, ele deve receber a remuneração adequada.

O repouso em movimento, enquanto outro motorista está dirigindo, conta como descanso?

O motorista só contabiliza o descanso quando o veículo está parado. Além disso, pausas em movimento não entram no período mínimo obrigatório.

Como o motorista deve realizar o descanso em viagens de longa distância (mais de 24 horas fora da base)?

Em viagens longas, o descanso pode ocorrer no veículo estacionado ou em alojamento, respeitando os períodos mínimos de repouso e garantindo a segurança do motorista.

Dê o primeiro passo para potencializar a gestão da sua frota:

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    Henrique Viana
    Henrique Lima

    Founder e Diretor comercial na INFLEET, Henrique une formação em engenharia a uma visão estratégica de mercado. Lidera times de vendas e transforma dados em soluções práticas que ajudam empresas a otimizar frotas, reduzir custos e crescer com segurança e eficiência.

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