Como a eficiência logística pode contribuir com a sustentabilidade?

Como a eficiência logística pode contribuir com a sustentabilidade?

O modal rodoviário representa 42% do CO2 lançado na atmosfera de acordo com a CNT (Confederação Nacional do Transporte)

O transporte de cargas no Brasil tem uma dependência histórica do modal rodoviário, representando cerca de 65% do escoamento de produtos segundo o Banco Mundial. Essa dependência traz consequências econômicas e ambientais insustentáveis devido aos elevados custos logísticos bem como as altas taxas de emissões dos gases poluentes.

De acordo com o IBGE, o transporte rodoviário é responsável por aproximadamente 55% do PIB do transporte, chegando a mais de R$ 100 bilhões. Apesar dos números, o Brasil é marcado por uma baixa eficiência logística, correspondendo apenas 30% da produtividade do transporte rodoviário de cargas dos Estados Unidos (COPPEAD). Os principais fatores estão relacionados aos elevados custos operacionais decorrentes dos problemas de infraestrutura - apenas 12% das estradas no Brasil são pavimentadas - e ineficiência de processos gerenciais - 55% das empresas controlam as operações logísticas com papel e lápis.

Os problemas não se limitam aos “bolsos” dos gestores de frotas mas são estendidos para toda a população através do aumento de emissões dos gases poluentes. O Observatório do Clima aponta que o transporte de cargas no Brasil emitiu em 2016 quatro vezes mais gases de efeito estufa do que a Noruega emite anualmente. Em grandes metrópoles, como São Paulo, os veículos são responsáveis por 90% da poluição do ar e causam diversas complicações para saúde pública através de doenças pulmonares e cardiovasculares. Considerando o âmbito global, a ONU afirma que a poluição do ar causada pelo setor de transportes causam cerca de 400 mil mortes.

Com impactos ambientais e econômicos, o transporte rodoviário, principalmente no Brasil, está carente de ações de melhoria da eficiência operacional. Segundo a CNT, os investimentos em infraestrutura de transporte serão reduzidos em 31%, o menor valor em 16 anos. Considerando a conjuntura atual, o avanço tecnológico pode ser protagonista na corrida para a sustentabilidade.

Como mudar esse cenário?

Segundo relatório divulgado pela ONU, um maior investimento em transportes verdes, eficientes e sustentáveis pode ajudar a alcançar metas globais de sustentabilidade e proporcionar uma economia de $ 70 trilhões até 2050. De acordo com o relatório, é recomendável a promoção de novas tecnologias para transportes sustentáveis e o financiamento internacional no setor.

Hoje, no Brasil, há um grande potencial no aumento da eficiência de processos logísticos rodoviários e, consequentemente, redução de custos e danos ambientais. As maiores fontes de gastos operacionais do setor estão nos custos com combustível, manutenção, pneus e folha de pagamento. Apenas o combustível representa entre 30% e 40% do custo operacional enquanto manutenção e pneus juntos chegam a 30%. Mas como podemos reduzir esses custos?

Startups nacionais e internacionais estão correndo contra o tempo para o desenvolvimento de soluções inovadoras no setor de logística, as chamadas LogTechs. É o caso da Infleet - Gestão de Frotas, startup baiana acelerada na Renault e vencedora de prêmios do CREA, ABDI (Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial) e Banco do Nordeste.

O setor tem apontado tendências tecnológicas que podem contribuir com a redução das emissões de gases poluentes, aumento da produtividade e melhoria na qualidade dos serviços. O uso de Big Data, monitoramento em tempo real e predição de eventos através de inteligência artificial são ferramentas essenciais para auxiliar na tomada de decisão dos gestores e terão um impacto global para o meio ambiente e experiência do consumidor.

Segundo a CNT, somente o treinamento de motoristas de caminhões pode aumentar em 12% a economia de combustível. A análise do comportamento do motorista e o modo de condução do veículo, por exemplo, pode ser acompanhada na plataforma de gestão de frotas da Infleet através de dados de telemetria.

Além do acompanhamento do motorista, é importante otimizar as rotas realizadas pela frota para um menor custo de combustível e manutenção. No Brasil, os caminhões rodam 40% do tempo vazios, um problema de eficiência com impacto nos gastos operacionais e meio ambiente. É necessário um maior mapeamento de processos e roteirização para a redução de deslocamentos, que pode ser realizada no otimizador de rotas Infleet.

A análise de informações financeiras, roteirização, condução de motoristas e a carga e descarga de materiais podem alterar positivamente os números de produtividade logística no Brasil. Um maior investimento em tecnologia, ou nas chamadas LogTechs, e a criação de um ecossistema de inovação entre grandes corporações, instituições de pesquisa e startups geram um grande potencial para a sustentabilidade ambiental e econômica no setor. E dessa forma, será possível reverter a situação insustentável do transporte rodoviário de cargas atual no Brasil.