Fevereiro chegou e, com ele, a maior festa popular do país. Para o setor de transporte, o Carnaval é um período de dualidade: de um lado, o aumento da demanda e a pressão por prazos em meio a estradas congestionadas; do outro, uma quebra brusca na rotina biológica e organizacional de motoristas, gestores e equipes de pátio.
Muitas vezes, olhamos para o Carnaval apenas pelo prisma da segurança viária — o que é vital. Mas, como psicólogo, convido você a olhar para o que acontece no “pós-festa”. Afinal, o excesso de estímulos, a privação de sono e a desregulação química provocada pelos excessos do feriado podem gerar uma ressaca existencial que paralisa o alcance das metas planejadas para o ano.
Continue lendo para entender mais sobre o tema:
O custo da desregulação no Carnaval: quando o “sistema” trava
Nossa mente e corpo operam melhor sob certa previsibilidade. Em janeiro, fizemos um esforço enorme para “engatar a primeira marcha” e definir objetivos. O Carnaval, no entanto, funciona como uma freada brusca seguida de uma aceleração desordenada, trazendo:
- Privação de sono e performance: o sono é o nosso período de “manutenção preventiva”. Quando o colaborador (ou o próprio gestor) sacrifica o descanso em prol da folia excessiva, ele volta ao pátio com o tempo de reação reduzido e a capacidade de tomada de decisão comprometida;
- A ansiedade do acúmulo. a sensação de que “o ano só começa agora” gera uma ansiedade tóxica, fazendo com que o profissional tente recuperar o tempo perdido atropelando processos de segurança.
Como blindar as metas pós-folia?
Para não deixar que os excessos de fevereiro fundam o motor do seu planejamento, algumas estratégias são fundamentais:
- O “Check-list” de reentrada humana: assim como conferimos pneus e óleos, na volta do feriado, promova conversas francas. Para isso, verifique o estado de alerta da equipe: validar que o retorno é cansativo reduz a pressão e aumenta a vigilância real;
- Fatiamento das metas: não tente bater a meta do trimestre na semana seguinte ao Carnaval: reajuste o cronograma. É melhor uma retomada constante e segura do que uma correria desesperada que resulta em acidentes ou multas;
- Higiene mental e desintoxicação: estimule a equipe a retomar a rotina de saúde o quanto antes. O foco na hidratação, sono regular e alimentação equilibrada é o que vai garantir que o “sistema operacional” de cada profissional volte a rodar sem travamentos.
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Conclusão: a estrada não para
O Carnaval passa, mas o ano permanece. A alta performance no transporte é uma maratona, não um rally. Ou seja, aproveitar o descanso é um direito, mas gerir o retorno é um dever estratégico.
Seja o gestor que entende que, para o caminhão chegar ao destino, quem está ao volante precisa estar com a mente limpa e os olhos no horizonte, não no retrovisor da folia.
Boa estrada e bom retorno ao trabalho!









